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Catapora

O que é

A Catapora ou Varicela é uma infecção altamente contagiosa causada pelo vírus varicela-zóster. Uma doença imunoprevenível comum na infância e, geralmente, suave, mas que também pode ser séria, especialmente em bebês que ainda mamam e adultos. Uma característica muito comum da Catapora são as pequenas bolhas e subsequentes crostas na pele, que levam, geralmente, cerca de 7 a 10 dias para desaparecerem. Mesmo não sendo considerada uma doença grave, ela pode ser fatal, principalmente em recém-nascidos e indivíduos com a defesa imunológica comprometida.1-4


Quando surgiu a Catapora?

As primeiras infecções por varicela não foram fielmente diferenciadas da varíola, até o final do século XIX. Em 1875, Steiner conseguiu demonstrar que a catapora era causada por um agente infeccioso, através da análise do líquido extraído na pele de pessoas com varicela. Em 1888, foi observada por Bokay, uma relação entre varicela e herpes zóster, quando crianças sem evidência de imunidade contra varicela contraíram a doença, após contato com um indivíduo com herpes zóster. O vírus varicela-zóster somente foi isolado em 1954 por Thomas Weller.  Estudos laboratoriais subsequentes do agente infeccioso levaram ao desenvolvimento da vacina, no Japão, em 1970.5


Quais outros impactos a catapora pode gerar?

A catapora é uma doença bem comum, que não é considerada grave, mas pode gerar complicações sérias, além de todos os desconfortos da enfermidade. Quando uma criança é infectada pelo vírus e desenvolve a catapora, ela precisa ser afastada do convívio social, não pode frequentar creche, escola e nem ter contato próximo com indivíduos não vacinados ou que nunca tiveram a doença. Portanto, é necessário mobilizar algum adulto para os cuidados e isso pode gerar a ausência dos responsáveis no trabalho e consequente perda de produtividade. Esses tipos de danos são denominados custos indiretos da doença, que não estão diretamente ligados à enfermidade, mas são consequências geradas por ela. Os custos diretos são aqueles relacionados a medicamentos, internações e consultas médicas decorrentes da enfermidade. Além disso, por ser altamente contagiosa, também é importante identificar se o indivíduo, que está cuidando da criança com catapora, foi vacinado ou já desenvolveu a doença, para que as consequências não sejam ainda maiores.
5,16-22

Quem está sob risco

O risco de transmissão de varicela existe em qualquer lugar do mundo, especialmente, nas áreas urbanas com grandes aglomerados populacionais e pode ocorrer durante o ano todo, porém observa-se um aumento do número de casos no período que se estende do fim do inverno até a primavera, sendo comum, neste período, a ocorrência de surtos em creches e escolas.6

A maioria da população de adultos em áreas urbanas é imune (geralmente mais de 90%, nos grandes centros), uma vez que eles tiveram a doença na infância. Já nas áreas rurais, a ocorrência de varicela tende a ser menor, resultando numa maior proporção de adultos que não tiveram a doença na infância (susceptíveis). Sendo assim, é particularmente preocupante a possibilidade de que estes indivíduos adquiram a doença, com maior risco de formas graves nesta faixa etária, ao migrarem ou viajarem para áreas urbanas.6

Sinais e sintomas

O sintoma clássico de catapora é a erupção característica na pele. Essas erupções surgem como manchas vermelhas por todo o corpo, coçam, e se tornam bolhas cheias de líquido que, eventualmente, se tornam crostas. As erupções se apresentam em fases: manchas, bolhas e crostas que começam a aparecer na face, no peitoral, depois se espalham pelo resto do corpo, inclusive dentro da boca, nas pálpebras e na área genital. Demora normalmente uma semana para todas as bolhas se tornarem crostas e 1 a 2 dias antes das erupções, podem aparecer sintomas como: febre, cansaço, perda de apetite e dor de cabeça. Existem algumas providências que podem ser tomadas para aliviar os sintomas e prevenir infecções de pele. Loções e banhos podem ajudar a reduzir as coceiras e manter as unhas aparadas ajuda a prevenir infecções da pele causadas por arranhões. 1,9


Manifestações e complicações da catapora

Na maioria das crianças saudáveis, a doença geralmente evolui sem gravidade. Algumas vezes, no entanto, pode ocorrer redução da função de órgãos internos (principalmente do sistema nervoso central, que é responsável pelos nossos sentidos e movimentos), infecções bacterianas na pele e, mais raramente, sangramentos espontâneos. Em adultos, pessoas com imunodeficiência e recém-nascidos, o risco de desenvolvimento de varicela grave é consideravelmente maior. A varicela tende a ser mais grave também nos casos onde a transmissão ocorreu dentro do mesmo domicílio (inclusive em crianças), quando comparado aos casos adquiridos por contato casual, fora do mesmo domicílio. Possivelmente, porque o tempo de exposição prolongado no domicílio favorece a transmissão de uma maior quantidade de vírus para o indivíduo susceptível. Estas pessoas geralmente desenvolvem um número maior de lesões cutâneas e tem risco mais elevado de comprometimento do pulmão, do fígado e do sistema nervoso central.6

O comprometimento pulmonar pelo vírus varicela-zóster (pneumonite) é mais comum em adultos. Na maioria das vezes, ocorre entre 3 e 5 dias após o início da varicela e se caracteriza pelo aumento da frequência respiratória, tosse, falta de ar e febre. Em geral, nos casos leves, a pneumonite desaparece espontaneamente em 24 a 72 horas, entretanto, em até 30% dos casos pode haver uma evolução para a forma grave, progredindo rapidamente para insuficiência respiratória e morte.6

As manifestações neurológicas (ataxia cerebelar e encefalite), embora não sejam comuns, podem estar associadas a sequelas. A ataxia cerebelar é a apresentação mais frequente nas crianças, ocorrendo em aproximadamente 1 em cada 4.000 crianças infectadas com menos de 15 anos de idade. É caracterizada por perda de coordenação dos movimentos, vômitos, alteração da fala, tonteira e tremores. As manifestações surgem cerca de uma semana após o início das lesões cutâneas, mas podem aparecer até 21 dias depois. Em geral, tem resolução espontânea em 2 a 4 semanas. Já a encefalite, que é uma complicação mais grave, ocorre mais em adultos, em cerca de 4 a cada 10.000 infectados, podendo ser letal em até 37% dos casos.  É caracterizada por diminuição do nível de consciência, dor de cabeça, vômitos, febre e convulsão.  Dos indivíduos que sobrevivem, cerca de 15% permanecem com alguma sequela neurológica.6

A varicela, à semelhança de outras doenças virais (como a dengue, o sarampo e a rubéola), pode cursar com alguma redução do número de plaquetas, elementos que exercem papel fundamental na coagulação sanguínea, porém essa complicação é relativamente incomum. Contudo, em alguns casos raros (forma conhecida como "varicela hemorrágica"), a ocorrência de plaquetopenia persistente pode resultar em sangramentos intensos. As manifestações hemorrágicas surgem de forma súbita, geralmente, no segundo ou terceiro dia após o aparecimento das lesões cutâneas e são marcadas por um agravamento do estado geral. Inicialmente, observam-se sangramentos espontâneos pelas lesões da pele e também pelo nariz, boca, além da presença de sangue na urina, podendo evoluir com perdas sanguíneas mais intensas pelas fezes e pelo trato respiratório.6

As infecções bacterianas são as principais causas de internação de pessoas com varicela. A complicação mais frequente é a infecção da pele, em geral devido à contaminação por bactérias durante a coçadura. Embora a infecção bacteriana, geralmente, fique limitada à pele e tecidos subcutâneos (celulite), pode haver disseminação através da corrente sanguínea para outros órgãos (principalmente pulmões) e sepse (infecção generalizada). Em crianças com menos que 1 ano de idade, a ocorrência de pneumonia bacteriana também é comum.6


O que é e como ocorre a Herpes-zoster?

Após a infecção, os vírus varicela-zóster habitualmente permanecem latentes no organismo por toda a vida, sem causar dano, pois não é eliminado pelo sistema imunonógico. Cerca de 10 a 20% dos indivíduos que tiveram a doença, principalmente em idosos e em imunodeficientes, pode ocorrer a reativação do vírus levando ao aparecimento do herpes zóster ("cobreiro"). O herpes zóster é caracterizado pelo aparecimento de pequenas vesículas dolorosas em uma região limitada da pele, geralmente em um lado do tronco, mas pode acometer também face e membros. A principal complicação do herpes zóster é a dor no local, que pode permanecer mesmo após a cicatrização das lesões. O herpes zóster facial pode estar associado com comprometimento da vista e levar à cegueira, se não for adequadamente tratado.6  

No herpes zóster, os indivíduos com lesões em forma de vesículas podem, através do contato com o conteúdo destas lesões, transmitir o vírus varicela-zóster para seus contactantes susceptíveis e levar ao aparecimento de casos de varicela. Admite-se que, quando o herpes zóster está em sua forma disseminada (por todo corpo), a quantidade de vírus no sangue é maior, resultando em risco adicional de transmissão do vírus por via respiratória. É importante saber que a exposição ao herpes zóster (ou a varicela) não causa um caso secundário de herpes zóster nos contactantes.6


E se uma gestante for infectada pelo vírus que causa a catapora?

A infecção em mulheres grávidas é uma preocupação. Quando ocorre durante o primeiro trimestre da gestação pode, raramente, resultar em má formação fetal (membros atrofiados, cicatriz na pele, alterações oculares e dano cerebral). Quando surge no final da gravidez ou logo após o parto, o recém-nascido pode vir a desenvolver doença disseminada, com até 30% de chance de vir a óbito. O período crítico ocorre quando a infecção materna se manifesta entre 5 dias antes e 2 dias depois do parto, uma vez que nestas circunstâncias é mais provável que ocorra passagem do vírus através da placenta, mas não de anticorpos maternos, que ainda estariam sendo produzidos.6

Transmissão

O vírus é facilmente transmitido de uma pessoa com catapora para quem nunca teve a doença ou não foi vacinado. A transmissão se dá pelo contato com saliva ou secreções respiratórias e, mais raramente, pelo contato com objetos recém-contaminados com secreção das vesículas. É possível ainda a transmissão durante a gestação, através da placenta. O período entre o contato com o vírus e as primeiras manifestações é de 14 a 16 dias, podendo variar de 10 a 20 dias.  O período de maior transmissibilidade ocorre no intervalo de um a dois dias antes do surgimento das vesículas e permanece enquanto estas estiverem presentes. Em crianças previamente saudáveis, a transmissibilidade dura, geralmente, 6 a 8 dias (4 a 6 dias após o surgimento das lesões na pele), porém pode ser mais prolongado (semanas e até meses) em indivíduos com imunodeficiência, permanecendo por todo o período de surgimento de novas lesões (vesículas).6,7,8

A varicela é uma doença altamente transmissível. Cerca de 90% dos contactantes susceptíveis podem desenvolver a doença. O risco é elevado em situações de contato próximo e de permanência em um mesmo ambiente fechado por mais de 1 hora, como ocorre em creches, salas de aula, enfermarias e salas de espera de consultórios.6

Prevenção

A doença pode ser evitada por meio da vacina. Os países que adotaram a vacinação de crianças contra a varicela observaram uma queda no número de casos e de mortes. A vacina contra a varicela está licenciada no Brasil na apresentação monovalente ou combinada com a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), sendo então a vacina tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela). A tetra viral está disponível na rede pública desde 2013, exclusivamente, para crianças de 15 meses de idade, que já tenham recebido a 1ª dose da vacina tríplice viral. Hoje, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam duas doses da vacina contra varicela. A primeira dose sendo aplicada aos 12 meses e a segunda dose aos 15 meses, mantendo o intervalo de três meses da dose anterior de tríplice viral + varicela ou de tetra viral.6,7,10,11,14,15

Tratamento

Como pode ser feito o diagnóstico desta doença?

Os médicos podem facilmente diagnosticar fazendo uma avaliação clínica e, por isso, a confirmação laboratorial do vírus da varicela-zóster não era necessária na maioria das vezes. No entanto, o diagnóstico clínico tem se tornando cada vez mais desafiador, pois a catapora em pessoas vacinadas é geralmente leve e atípica na apresentação. Portanto, a confirmação laboratorial se torna cada vez mais importante na prática clínica.12

Clinicamente, ela pode ser identificada pelas erupções cutâneas características que podem ser encontradas em todos os estágios de desenvolvimento. Além disso, o contato com alguém infectado também é uma pista importante para fechar o diagnóstico.13

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